A Medicina Veterinária do Coletivo (MVC) é uma especialidade da Medicina Veterinária que interliga a Saúde Coletiva, a Medicina Veterinária de Povos Originários e Tradicionais, a Medicina Veterinária de Desastres, a Medicina Veterinária Legal e a Medicina de Abrigos.

O manejo populacional humanitário e sustentável de cães e gatos (MPCG) em áreas urbanas é um dos grandes temas dentro da Medicina Veterinária do Coletivo (MVC), sendo um problema para saúde pública e medicina de abrigos, mas tendo consequências também forenses.
A saúde coletiva integra a MVC ao abordar questões amplas que conectam a saúde humana, animal e ambiental. A Teoria do Elo, que evidencia a conexão entre os maus-tratos aos animais e a violência interpessoal, é um exemplo dessa interseção, destacando como os casos de crueldade contra animais podem estar associados a situações de violência doméstica, contra crianças, idosos e mulheres. Já a problemática de pessoas em situação de acumulação de animais exige intervenções interdisciplinares que considerem fatores sociais, psicológicos e sanitários, buscando proteger tanto os animais quanto os próprios indivíduos em situações de vulnerabilidade.
A medicina de abrigos engloba toda a política interna dos locais públicos, privados ou do terceiro setor que fazem a manutenção de cães e gatos no coletivo, mas que têm relação direta e sofrem as consequências das políticas externas de MPCG (registro e identificação, controle reprodutivo, legislações pertinentes ao programa e à guarda responsável, controle do comércio, manejo populacional de gatos de vida livre, programa para cães comunitários, atendimento de denuncias de supostos maus-tratos aos animais, entre outros). A Medicina de Abrigos inclui os protocolos de admissão de animais, programas preventivos, capacitação de funcionários e demais demandas para que os animais possam ser reintroduzidos na sociedade sem representarem riscos.
A Medicina Veterinária de Povos Originários e Tradicionais atua no contexto das práticas de saúde animal em comunidades indígenas, quilombolas e outras populações tradicionais, respeitando os saberes populares e promovendo intervenções integrativas que consideram as realidades culturais, sociais e ambientais desses povos. Essa abordagem busca a preservação da saúde animal, humana e do meio ambiente, fortalecendo uma perspectiva de saúde única.
A medicina veterinária de desastres é outra área emergente que abrange as ações de planejamento, resposta e recuperação em situações de catástrofes naturais ou antropogênicas, com foco na proteção e no bem-estar dos animais e, consequentemente, das comunidades humanas envolvidas. Assegura a organização logística de resgate, abrigamento temporário e suporte veterinário emergencial em cenários desafiadores.
A intersecção com a Medicina Veterinária Legal refere-se às interações humano, animal negativas, tendo como principal foco os maus-tratos aos animais. O tema deve ser tratado intersetorialmente, uma vez que os maus-tratos, negligência, crueldade e abuso animal podem servir como indicadores de outras formas de violência, como por exemplo a doméstica ou abuso infantil. A articulação a saúde, serviço social, conselhos tutelares, defesa dos direitos dos idosos e das mulheres e redes de proteção às crianças, entre outras, é fundamental.