{"id":5,"date":"2016-10-11T16:42:24","date_gmt":"2016-10-11T16:42:24","guid":{"rendered":"https:\/\/agrarias.ufpr.br\/mvc\/?page_id=5"},"modified":"2018-02-16T16:29:33","modified_gmt":"2018-02-16T16:29:33","slug":"saude-unica","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/agrarias.ufpr.br\/mvc\/saude-unica\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade \u00danica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Uma S\u00f3 Sa\u00fade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;Uma S\u00f3 Sa\u00fade&#8221; parte do princ\u00edpio de que o estado sanit\u00e1rio dos seres humanos est\u00e1 relacionado com a sa\u00fade dos animais, e que ambas as popula\u00e7\u00f5es afetam o ambiente que coexistem e s\u00e3o igualmente afetados por esse ambiente. N\u00e3o se trata de uma nova ci\u00eancia, sequer uma nova \u00e1rea de trabalho, por\u00e9m, nos \u00faltimos anos, esse tema tem evidenciado o valor de adotar um enfoque colaborativo intersetorial para prevenir, detectar e controlar as enfermidades end\u00eamicas e epid\u00eamicas dos humanos e dos animais. A maioria das enfermidades humanas emergentes s\u00e3o de origem animal. Da mesma forma, a maioria das enfermidade emergentes, reemergentes e end\u00eamicas podem repercutir na saude p\u00fablica&#8230;&#8221; Dra. Kathlenn Glynn. A Hora Veterin\u00e1ria &#8211; Ano 32, 188, julho\/agosto\/2012<\/p>\n<p class=\"font_8\" style=\"text-align: justify\"><strong>A inser\u00e7\u00e3o do M\u00e9dico Veterin\u00e1rio nos N\u00facleos de Apoio \u00e0 Sa\u00fade da fam\u00edlia (NASF): novos caminhos de atua\u00e7\u00e3o na sa\u00fade p\u00fablica<\/strong><\/p>\n<p class=\"font_8\" style=\"text-align: justify\"><strong>David Soeiro Barbosa M\u00e9dico Veterin\u00e1rio. Epidemiologista. Doutorando em Epidemiologia em Sa\u00fade P\u00fablica Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica Sergio Arouca\/Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (ENSP\/FIOCRUZ)<\/strong><\/p>\n<p class=\"font_8\" style=\"text-align: justify\">A sociedade brasileira ainda desconhece a amplitude da atua\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico veterin\u00e1rio na sa\u00fade p\u00fablica, apesar de tal trabalho j\u00e1 ocorrer h\u00e1 bastante tempo. Nos \u00faltimos anos, a discuss\u00e3o sobre o papel do m\u00e9dico veterin\u00e1rio na sa\u00fade p\u00fablica tem sido uma das principais pautas na profiss\u00e3o no Brasil, sendo que a partir do ano de 2003, o debate sobre o papel do m\u00e9dico veterin\u00e1rio na sa\u00fade p\u00fablica articula-se de forma mais estruturada, com a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica Veterin\u00e1ria do Conselho Federal de Medicina Veterin\u00e1ria (CNSPV\/CFMV) e da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade P\u00fablica Veterin\u00e1ria (ABSPV) em 2005.<\/p>\n<p class=\"font_8\" style=\"text-align: justify\">Apesar da trajet\u00f3ria de atua\u00e7\u00e3o no campo da sa\u00fade coletiva, particularmente na vigil\u00e2ncia em sa\u00fade, o reconhecimento como profissional da \u00e1rea da sa\u00fade no pa\u00eds, somente ocorre com a publica\u00e7\u00e3o da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 218 do Conselho Nacional de Sa\u00fade de 06 de mar\u00e7o de 1997, que reconhece os m\u00e9dicos veterin\u00e1rios como profissionais de sa\u00fade de n\u00edvel superior. No Brasil, o M\u00e9dico Veterin\u00e1rio possui um campo de atua\u00e7\u00e3o profissional em sa\u00fade p\u00fablica amplo, que abrange diversos segmentos como: ensino\/pesquisa\/extens\u00e3o em universidades\/institutos; vigil\u00e2ncia em sa\u00fade (epidemiol\u00f3gica, ambiental, sanit\u00e1ria e do trabalhador); controle de zoonoses; tecnologia e inspe\u00e7\u00e3o higi\u00eanico sanit\u00e1ria de produtos de\u00a0origem animal (compet\u00eancia exclusiva da profiss\u00e3o); planejamento e gest\u00e3o (administra\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de sa\u00fade, planejamento e elabora\u00e7\u00e3o de programas e projetos em sa\u00fade animal e sa\u00fade p\u00fablica, formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade); educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade; defesa sanit\u00e1ria animal; seguran\u00e7a alimentar, preven\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, entre outros.<\/p>\n<p class=\"font_8\" style=\"text-align: justify\">Recentemente esta categoria profissional foi inserida no escopo do trabalho da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, particularmente nos N\u00facleos de Apoio \u00e0 Sa\u00fade da Fam\u00edlia (NASF), contemplado na Portaria 2.488 de 21 de outubro de 2011, que aprova a Pol\u00edtica Nacional de Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica para o SUS. Essa inser\u00e7\u00e3o teve consideradas as compet\u00eancias e habilidades relacionadas \u00e0 rela\u00e7\u00e3o da sa\u00fade humana, animal e ambiental que est\u00e3o inseridas no seu campo profissional, particularmente evidenciado, em interfaces com a sa\u00fade da fam\u00edlia\/comunidade e o territ\u00f3rio. Tal inser\u00e7\u00e3o foi fruto de um intenso trabalho de mobiliza\u00e7\u00e3o da categoria, por meio da CNSPV\/CFMV e da ABSPV, desde a cria\u00e7\u00e3o dos NASF\u2019s em 2008, que n\u00e3o inclu\u00eda o M\u00e9dico Veterin\u00e1rio nas profiss\u00f5es poss\u00edveis de compor a equipe destes n\u00facleos de apoio. A inser\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos veterin\u00e1rios no NASF v\u00eam ocorrendo ainda de forma t\u00edmida, onde acumula-se atualmente experi\u00eancias advindas do trabalho realizado em estados brasileiros como Cear\u00e1, Pernambuco, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p class=\"font_8\" style=\"text-align: justify\">De acordo com a portaria, este profissional poder\u00e1 compor o NASF 1 e 2, sendo que a escolha desta participa\u00e7\u00e3o fica a crit\u00e9rio do gestor local, considerando crit\u00e9rios de prioridade identificados a partir dos dados epidemiol\u00f3gicos e das necessidades locais e das equipes de sa\u00fade que ser\u00e3o apoiadas. A CNSPV\/CFMV recomenda um rol de a\u00e7\u00f5es que podem ser desenvolvidas pelo m\u00e9dico veterin\u00e1rio nos territ\u00f3rios atendidos pelo NASF, como a avalia\u00e7\u00e3o de fatores de risco \u00e0 sa\u00fade, relativos \u00e0 intera\u00e7\u00e3o entre os humanos, animais e o meio ambiente; preven\u00e7\u00e3o, controle e diagn\u00f3stico situacional de riscos de doen\u00e7as transmiss\u00edveis; educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade com foco na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e na preven\u00e7\u00e3o e controle de doen\u00e7as de car\u00e1ter antropozoon\u00f3tico e demais riscos ambientais; a\u00e7\u00f5es educativas e de mobiliza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da comunidade, relativas ao controle das doen\u00e7as\/agravos na \u00e1rea de abrang\u00eancia, no uso e manejo adequado do territ\u00f3rio com vistas \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sa\u00fade\/ambiente; estudos e pesquisas em sa\u00fade p\u00fablica que favore\u00e7am a territorialidade e a qualifica\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o; orienta\u00e7\u00f5es quanto a qualifica\u00e7\u00e3o no manejo de res\u00edduos; preven\u00e7\u00e3o e controle de doen\u00e7as veiculadas por alimentos; orienta\u00e7\u00e3o nas respostas \u00e0s emerg\u00eancias de sa\u00fade p\u00fablica e eventos de potencial risco sanit\u00e1rio nacional de forma articulada com os setores respons\u00e1veis; identifica\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00f5es quanto a riscos de contamina\u00e7\u00e3o por subst\u00e2ncias t\u00f3xicas; al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es conjuntas elaboradas e executadas de forma interdisciplinar do campo de atua\u00e7\u00e3o comum de todos os profissionais em apoio \u00e0s equipes de sa\u00fade cobertas pelo NASF.<\/p>\n<p class=\"font_8\" style=\"text-align: justify\">Cabe destacar ainda que essa inser\u00e7\u00e3o acontece em meio ao movimento atual de articula\u00e7\u00e3o\/integra\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia em sa\u00fade com a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, norteado pela Portaria 3.252 de 22 de dezembro de 2009. Sendo este ainda um desafio para o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, considerando as dificuldades de execu\u00e7\u00e3o nas propostas de atua\u00e7\u00e3o conjunta pelas categorias profissionais em diferentes contextos. Algumas propostas t\u00eam sido publicadas nos Cadernos de Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, onde destaco as relacionadas \u00e0s doen\u00e7as transmiss\u00edveis e zoonoses, que definem propostas de a\u00e7\u00f5es para execu\u00e7\u00e3o considerando as diferentes categorias profissionais e sua atua\u00e7\u00e3o conjunta no NASF.<\/p>\n<p class=\"font_8\" style=\"text-align: justify\">Neste mesmo caminho, temos no panorama internacional a iniciativa \u201cOne Health\u201d (Sa\u00fade \u00danica), que tem sido fortemente debatida e utilizada considerando as interfaces da sa\u00fade humana, animal e o contexto ambiental, apesar de o Brasil ainda n\u00e3o estar em sintonia com este movimento de forma mais org\u00e2nica. Entendemos que o debate que se inicia precisa ser ampliado nas diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, considerando suas especificidades, assim como os centros formadores desta categoria precisam direcionar maiores esfor\u00e7os na forma\u00e7\u00e3o para atua\u00e7\u00e3o neste campo, compreendendo a vis\u00e3o ampliada do trabalho em sa\u00fade.<\/p>\n<p class=\"font_8\" style=\"text-align: justify\">Deve-se investir tamb\u00e9m na forma\u00e7\u00e3o de pensamento cr\u00edtico no debate e na produ\u00e7\u00e3o material de apoio ao ensino\/trabalho. Ao mesmo tempo, os demais profissionais de sa\u00fade, gestores e usu\u00e1rios precisam ser esclarecidos e conscientizados\u00a0do papel deste profissional na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e nos NASF\u2019s. Desta forma, entendemos que a participa\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico veterin\u00e1rio torna-se de fundamental import\u00e2ncia para a efetiva\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade em uma perspectiva ampliada no oferecimento de uma aten\u00e7\u00e3o mais integral, particularmente no \u00e2mbito da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, considerando os motivos explicitados e o movimento atual de articula\u00e7\u00e3o com a vigil\u00e2ncia em sa\u00fade no Brasil.<\/p>\n<p>Ref: David Soeiro Barbosa M\u00e9dico Veterin\u00e1rio. Epidemiologista. Doutorando em Epidemiologia em Sa\u00fade P\u00fablica Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica Sergio Arouca\/Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (ENSP\/FIOCRUZ)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma S\u00f3 Sa\u00fade &#8220;Uma S\u00f3 Sa\u00fade&#8221; parte do princ\u00edpio de que o estado sanit\u00e1rio dos seres humanos est\u00e1 relacionado com a sa\u00fade dos animais, e que ambas as popula\u00e7\u00f5es afetam o ambiente que coexistem e s\u00e3o igualmente afetados por esse ambiente. 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